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Palestras Takarabe


Palestras Takarabe


Como musicista, a professora Clara Takarabe (violino/viola) se apresenta regularmente com a Orquestra Sinfônica de Chicago e a Orquestra Filarmônica de Los Angeles. Porém, seus talentos se estendem também em outras direções. Takarabe é uma autora publicada e uma pensadora nas áreas de teoria do trabalho, teoria da arte e teoria da esfera pública, é filósofa residente em um departamento e laboratório de neurologia, é membro da Comissão de Educação Laboral de um novo sindicato nacional de músicos nos Estados Unidos, e sua pesquisa musical já foi destaque no Wall Street journal e no noticiário da NBC. Além de tudo isso, Clara Takarabe é dedicada ao combate à desigualdade, trabalhou com Daniel Barenboim ao estabelecerem o elogiado projeto “Divan Leste-Oeste” que une músicos árabes e israelitas, lecionando também na Palestina. Em suas visitas ao FEMUSC, além de lecionar e se apresentar em concertos, Clara Takarabe demonstrou preocupação com o preparo filosófico do corpo estudantil, e assim nasceu uma série de palestras e discussões sobre o universo não-musical do estudo da música. Em suas própria palavras:

“No mundo da música clássica há muitas conversas perdidas – conversas que precisam acontecer de maneira crítica, mas não acontecem dentro dos limites de masterclasses e aulas. Alguns dizem que estudar é tudo o que precisamos fazer, mas isso está absolutamente errado. Precisamos aprender sobre as muitas realidades de nosso campo e encontrar maneiras de exercer o poder. Muitos alunos estão com medo, sentindo-se impotentes, sentindo que não têm lugar neste mundo. Esta série de palestras é uma porta de entrada para discutir os mitos dentro da música clássica, os desafios, os problemas, novas maneiras de resolver problemas e ganhar poder. Sem que os alunos ganhem poder filosófico e intelectual, eles não serão capazes de ser poderosos neste mundo conturbado onde a música é mais necessária do que nunca. Quero que os alunos sejam agentes de mudança não apenas no mundo clássico em si, mas atuem para o público em geral e sejam uma parte crítica para tornar a sociedade um mundo bonito, mais gentil e voltado para o cuidado.

A primeira palestra, “Toque e Sensibilidade”, é sobre os desafios que muitos músicos enfrentam na fase de crescimento do final da adolescência e início da idade adulta – particularmente problemas de pedagogia, com professores, consigo mesmo com depressão e desesperança. Esta palestra tem como objetivo reformular o próprio processo de aprendizagem e dar ao aluno mais agência e poder.

A segunda palestra, “Eu comecei tarde e agora sou mais velho / a” – é uma reflexão sobre a condição de muitos alunos que acreditam ter começado tarde e que estão em séria e talvez fatal desvantagem para a vida na música. Quem começa tarde tem qualidades profundas. Conte com elas. Com quem começa tarde, há muita esperança. Os retardatários também percebem os mitos que existem em nosso campo e têm o poder de combatê-los.

A terceira palestra, “Ao pertencer musicalmente: Solidariedade ao Construir um Mundo”. Muitas vezes nos perguntamos, como músicos, “a que lugar pertencemos?” Sentimos precariedade, solidão, vulnerabilidade. Não podemos ver como vamos viver. Enfrentamos a pobreza. Enfrentamos um mundo que diz que não há possibilidade de emprego, o que nos impede de ter uma vida digna e um lugar digno na sociedade. Podemos lutar contra isso, podemos construir algo melhor, mas somos NÓS que devemos construir isso. Esta palestra é sobre como construir um mundo, construir pertencimento, construir cuidado e apoio e construir solidariedade.

Clara Takarabe

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